Ex-senhora Richard Gere, viúva do grego milionário Constantino Niarchos. As obras expostas na Galeria LGC Arte Contemporânea foram criadas em Nova York e na Índia. Radicada em Nova Yorque a quase três décadas, amiga de Andy Wharol ( foi a única artista brasileira citada nos Diários de Andy Warhol), Keith Haring, Basquiat, dentre outros, Sylvia Martins nasceu em Bagé, no Rio Grande do Sul, veio para o Rio de Janeiro ainda criança para estudar no Colégio Sacre Coeur. A partir daí, a capital fluminense seria definidora na formação inicial da futura pintora e desenhista. Logo depois de se graduar em Comunicação e estagiar em publicidade, ela aproveitou a efervescência do cenário das artes plásticas nos anos 60 e 70 para fazer o que tinha vontade. Inscreveu-se num curso do Museu de Arte Moderna e foi estudar pintura com os mestres Ivan Serpa e Aluísio Carvão, além de travar conhecimento com teóricos como o crítico Frederico Morais. Freqüentou ainda ateliês de Glauco Rodrigues e Rubens Gerchman. Com um bilhete de avião que os pais lhe haviam prometido, Sylvia embarcou em 1979 para Nova York, decisão que marcou definitivamente sua carreira e a manteve afastada do circuito de galerias e museus brasileiros. Na cidade americana, ela estudou no Art Students League sob a orientação de Richard Pousette-Dart (1916-1992), um dos mais jovens integrantes do expressionismo abstrato, movimento surgido nos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. Sylvia Martins credita a ele responsabilidade significativa sobre suas opções de técnica e estilo.
Foi o envolvimento com a turma de Andy Warhol, no entanto, que consolidou a atuação da artista na pintura, empolgada com a vibrante e colorida arte pop das telas e dos grafites assinados, por exemplo, por Jean-Michel Basquiat. Desde então, estabelecida em Nova York, Sylvia realizou inúmeras mostras individuais e integrou coletivas na cidade e em outros países como Inglaterra – onde morou alguns anos – Itália, França e Grécia. Obras suas podem ser encontradas nas coleções do Citibank e Chase Manhattan Bank, entre outras corporações.
Stimulus reúne trabalhos recentes, algumas realizadas em 2007 e outras fresquíssimas feitas me 2008. As obras de medidas variadas contam com a cor como elemento fundamental – e usual em toda a carreira da artista – e alia-se à textura para dar forma a um rico repertório de símbolos gráficos, ícones, motivos ornamentais e padronagens da arte decorativa clássica, a exemplo de arabescos. Tais recursos resultam num estilo que trafega entre o expressionismo abstrato e o abstracionismo lírico. Alguns poucos recursos figurativos contemplam temas de seu interesse, entre eles a natureza, o erotismo e a antropologia.

Seg 14 Jul 2008 03:48