Home Data de criação : 06/11/24 Última atualização : 08/09/12 16:27 / 80 Artigos publicados
 

EM TEMPOS BOVINOS, PREFIRO OS BUEIROS.  escrito em terça 09 outubro 2007 05:28

Dupla de grafiteiros pinta bueiros de São Paulo
FELIPE VAZQUEZ
Editor de UOL Diversão e Arte

Os moradores dos bairros paulistanos da Barra Funda, Bom Retiro e Santa Cecília, convivem diariamente com a decadência dos edifícios, a poluição visual e as calçadas maltratadas.
Acostumados a sempre olhar pra baixo para não tropeçar nos obstáculos criados pelo descaso, estes pedestres, há cerca de um ano e meio, passaram a notar também o trabalho dos grafiteiros Delafuente, 25 e SAO, 25, artistas moradores da Barra Funda que resolveram chamar a atenção para o destrato das vias públicas com pinturas em bueiros, postes, grades e tampas de ferro, em projeto batizado de 6 e Meia.
“O nome é uma referência aos ponteiros do relógio, que nesse horário, apontam juntos para baixo, e o que queremos é isso, que as pessoas olhem para o chão", explica Delafuente, que grafita com seu parceiro SAO desde a época do colégio.

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MAIS UM TRABALHO DO MÁRCIO  escrito em domingo 09 setembro 2007 05:57

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MÁRCIO RAMALHO  escrito em quinta 06 setembro 2007 02:02

Um ponto alto em sua carreira foi a participação no evento Artes de Portas Abertas – 98, que ocorre anualmente no bairro carioca de Santa Tereza, quando o resultado final de seu trabalho foi servido à comunidade do Morro Dos Prazeres, possibilitando uma integração do expectador com a obra de arte poucas vezes pensada em nossa sociedade burguesa.

Poderiam argumentar que chefes de cozinha ao redor do mundo fazem o mesmo, no etano poucas vezes vi preocupação estética, racional, tão definida e com resultados satisfatórios.

Para os interessados, Márcio prepara menus personalizados para ocasiões especialíssimas, nas quais os felizardos comensais podem experimentar as delícias e sentir os prazeres da gula sem culpa! (e-mail: oicram.rama@yahoo.com.br)

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MÁRCIO RAMALHO E O NOVO PALADAR ARTÍSTICO  escrito em quinta 06 setembro 2007 01:51

Após um longo período cuidando de assuntos particulares, durante o qual não tive tempo para postar aqui no blog, retorno para falar sobre Márcio Ramalho. Nosso encontro deu-se na última semana de março na galeria “A Gentil Carioca” algumas horas antes da abertura de uma exposição da qual Márcio participava com duas fotografias. Natural de Juiz de Fora (MG), Márcio vive no Rio de Janeiro a mais de vinte anos e sua formação primeira foi na área da culinária. O chamado estético foi acontecendo naturalmente. As obras mostravam refeições cuidadosamente preparadas e dispostas nos pratos de modo que, de acordo com o ângulo do qual eram vistas ou fotografadas, assumem imagens diversas. O artista utiliza uma infinidade de comestíveis tais como nozes, amendoins, gengibre, arroz, verduras etc. para dar forma às usas esculturas culinárias. Uma de suas influências é Bosch e seu “Jardim das Delícias”. Há também uma infinidade de referências barrocas presentes em imagens sofisticadas de guloseimas cuidadosamente preparadas. Suas formas e cores fizeram-me imediatamente pensar na experiência gustativa de tais obras de arte. Gravitando no universo do efêmero que só se materializa nas fotografias de seus pratos, seus trabalhos diferenciam-se de propostas semelhantes pela sensualidade e opção pelo prazer. Vemos neles formas sexuais e orgânicas e, o melhor, podemos degustá-las!
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DIRETOR DO LOUVRE ANALISA CRIAÇÃO CONTEMPORÂNEA  escrito em terça 20 março 2007 19:39

As idéias abaixo são conflitantes com texto de Arnaldo Jabor publicado aqui neste blog na página 4. Vamos ao debate!

A ARTE TESTEMUNHA A VIOLÊNCIA DO MUNDO

 

Nas últimas décadas, os recursos técnicos de que dispõe a humanidade multiplicaram-se de modo acelerado. Paradoxalmente, se aprofundou o sentimento da impotência humana diante do curso dos acontecimentos. É impossível delinear o cenário da arte contemporânea, por vários motivos. O primeiro, o mais banal, é que tudo que é contemporâneo foge das definições panorâmicas, pelo simples motivo de que falta distanciamento para tanto.

O segundo é que o território da arte contemporânea foi extraordinariamente ampliado, a exemplo das bienais, que se multiplicaram por cem nas duas últimas décadas. E, por fim, o que foi chamado de pós-moderno acabou com as normas  que regiam, bem ou mal, a arte moderna.

Não há mais, "tendência". Esse é o cenário da arte contemporânea. A impressão que sente quem considere os períodos mais ou menos recentes da atividade artística, e que viaje um pouco (nem que seja apenas pela internet), é de que nunca houve tanta diversidade, nem tanta liberdade de invenção.  Alguns observadores competentes não cansam de repetir que a vida artística se "globalizou" como o restante da· atividade econômica e que se vê a mesma coisa em todo lugar. Sim, com certeza, mas para quem se limita em olhar nas instituições dominantes as obras que subjugaram o mercado.

A arte, ao longo do século 20, produziu obras às quais o antigo conceito de beleza não podia mais ser aplicado. Há muito tempo, a arte renunciou a encantar, a seduzir, a decorar, a agradar. Um dos desdobramentos desta evolução está na violência com a qual as obras mais memoráveis do nosso tempo vêm jogar na nossa cara o testemunho da violência do mundo. Testemunho inútil, já que nada podemos fazer? Testemunho útil, sim, pois, globalmente nos tornamos menos ignorantes, menos broncos.

JeanGalard - Jean Galard é professor e diretor cultural do Museu do Louvre, em Paris. Participou de um recente seminário sobre arte contemporânea realizado no Museu Vale do Rio Doce, em Vila Velha (ES).

'Topos', de autoria da artista carioca Suzana Queiroga

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