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OS CEM ANOS DE "LES DEMOISELLES D`AVIGNON"  escrito em domingo 25 novembro 2007 18:12

Pintada em 1907 e marco de uma revolução na História da Arte, a tela de Pablo Picasso comemorou cem anos sem nenhuma festa... Será que ninguém lembrou?? A foto maior é da sala do MOMA de NY onde a obra encontra-se exposta, a menor mostra a tela quando foi exibida em Istambul em 2005. 
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ARTE COM PRAZO DE VALIDADE  escrito em quinta 22 novembro 2007 21:38

 

 

 

Artistas lançam mão de alimentos em instalações que apelam para a visão e o olfato.

IVAN CLAUDIO - Revista Isto É (07/11/07) Quem entra no ambiente branco e asséptico da Galeria Nara Rossler, em São Paulo, é logo recebido com um forte cheiro de maçã. Não se trata de uma essência para perfumar o ambiente. Na sala principal da galeria, sete mil frutas descansam sobre uma mesa de mármore branco, esparramando-se pelo chão de cimento. A obra é da paulista Laura Vinci e chama-se Ainda viva . Há alguns minutos dali, no Museu de Arte Moderna, no Parque do Ibirapuera, outra intrigante instalação apela para o olfato do visitante. Intitulada Quebra-molas , a criação da carioca Débora Bolsoni reproduz a forma desse “redutor de velocidade” com uma tonelada da prosaica paçoquinha de amendoim. São obras com prazo de validade: as maçãs de Laura, ao apodrecerem, serão doadas a alguma ONG para virar ração; a farinha de amendoim de Débora deve sofrer uma manutenção até o final da mostra, prevista para se encerrar em janeiro do ano que vem. Para alguns detratores dessas experimentações, caso do poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, elas são efêmeras em todos os sentidos. “Essa produção vai morrer aí e nem tem mesmo como sobreviver. Só nesse ponto eu concordo com esses artistas: não vai sobrar nada dessa produção contemporânea”, diz Gullar.

Com a palavra os artistas. Laura faz uma argumentação erudita, baseada na história da arte, para explicar sua instalação. Ela diz que usou a maçã como símbolo da transitoriedade das coisas vivas em oposição ao mármore, uma pedra que sempre esteve ligada à perenidade. Outra de suas referências foi a presença habitual da maçã nas naturezas-mortas, especialmente aquelas feitas pelo francês Paul Cézanne. O pintor demorava tanto para terminar suas telas que no processo as frutas chegavam a apodrecer no seu ateliê. “Não estou utilizando maçãs apenas porque as pessoas as comem na vida real”, diz Laura, que cuidou sozinha da compra das frutas, adquiridas no Ceagesp, o maior centro de abastecimento de horticultura do País. Débora se defende com argumento parecido. A carioca explica que lançou mão da paçoca porque precisava de um material mais suave, em contraposição à rigidez do quebra-molas. E que escolheu esse material orgânico – e não areia ou serragem, por exemplo – porque se trata de um alimento com que o brasileiro tem uma “identidade simpática”, remontando da cultura indígena e incorporado mais tarde ao calendário cristão. “Não é uma apresentação da paçoca, ou seja, não estou apenas colocando-a na galeria. Existe uma tentativa de simbolização”, diz Débora.

Perfeito. Mas, se Laura ou Débora não explicarem seus objetivos, todos esses significados jamais serão compreendidos pelos visitantes. Gullar recarrega suas munições: “Trata-se da arte da boa idéia, da caninha 51. Esse tipo de trabalho não tem artesanato, não tem técnica, não tem linguagem. Já se usou de tudo: balde, bacia, ovo frito. É uma falta de imaginação, uma grande bobagem que não me interessa. Prefiro ficar em casa lendo Hamlet.” Segundo Gullar, esse beco sem saída em que enveredou a produção contemporânea nasce de um grande equívoco: o de se imaginar que a pura expressão possa ser uma obra de arte. “Uma mancha no chão, uma água escorrendo, tudo isso é expressão, mas não é arte. Se alguém pisa no meu pé e eu grito de dor, isso é uma expressão, mas não arte”, diz. O curador Moacir dos Anjos pensa o contrário. Nome por trás dessa edição do Panorama da Arte Brasileira (nome da exposição da qual o Quebra- molas de Débora Bolsoni faz parte), ele acha que as questões provocadas no visitante da mostra já são em si uma situação estética. “Quando um artista como a Débora decide trabalhar com a paçoca, ele não está preocupado com o fato de ser um alimento perecível. A idéia era encontrar um material que fosse ligado à memória, à questão do afeto”, diz. “Na situação criada, é o visitante que fica com receio de provocar um acidente ao se aproximar do quebra-molas.” Mesmo assim, alguns desavisados esbarraram no monte de farinha, que, é bom frisar, não foi fácil de ser feito. Débora precisou de dois assistentes para misturar o amendoim moído e a farinha de mandioca, aos quais eram adicionadas quantidades generosas de óleo para dar liga. Em suas pesquisas, ela descobriu que essa receita não mudou desde que passou a ser usada nas festas juninas pelo Brasil afora. Seu cheiro forte certamente vai atrair os ratos famintos do Parque do Ibirapuera. Para evitar que a mostra vire uma versão vanguardista de Ratatouille , o museu dispensou as ratoeiras. Simplesmente dedetizou a área ao redor do quebra-molas que dá água na boca.

 

 

 

 

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É DE FAMA E DINHEIRO QUE SE TRATA A ARTE?  escrito em quarta 21 novembro 2007 14:48

O sucesso hoje não depende só do valor intrínseco de uma obra, mas sobretudo da capacidade do artista de se inserir nas regras do mercado

LUCIANO TRIGO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Duas exposições recentes, uma no Rio e outra em São Paulo, sugerem interessantes questões sobre os rumos da arte contemporânea. Na instalação "Ainda Viva", a paulista Laura Vinci espalhou 7.000 maçãs sobre uma mesa de mármore branco e o chão de uma galeria; "Quebra-Molas", da carioca Débora Bolsoni, reproduziu um redutor de velocidade feito com uma tonelada de massa de paçoca de amendoim. As duas têm em comum a deliberada efemeridade e o recurso a comestíveis como matéria-prima.
Solicitado por uma revista a comentar as duas exposições, o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar afirmou: "Essa produção vai morrer aí. Trata-se da arte da boa idéia, da Caninha 51. [...] Não tem artesanato, não tem técnica, não tem linguagem. Já se usou de tudo: balde, bacia, ovo frito. É uma falta de imaginação, uma grande bobagem que não me interessa. [...] Uma mancha no chão, uma água escorrendo, tudo isso é expressão, mas não é arte". As artistas se justificam falando da transitoriedade das coisas vivas, de tentativas de simbolização etc.
Arte contemporânea é um tema em que é difícil tornar produtivo qualquer debate, pois sempre se cai num diálogo de surdos, num Fla-Flu, isto é, numa questão de adesão incondicional de torcedor, mais que de reflexão crítica. O que temos hoje são, de um lado, críticos, como Ferreira Gullar e Affonso Romano de Sant'Anna, que contestam a legitimidade e o valor de instalações como as de Laura e Débora, e, de outro, artistas que rejeitam esse julgamento como reacionário.
Menos do que saber quem está com a razão, importa constatar que desse atrito não sai nenhum desdobramento interessante. Por quê? Algumas hipóteses: - Os artistas se tornaram auto-suficientes: ignoram solenemente qualquer crítica que os contesta.
- Os críticos perderam a importância que tinham no processo de legitimação da pro- dução artística. - Hoje, para um artista, importa muito mais se inserir numa rede de relações composta de curadores, marchands e galeristas do que obter reconhecimento crítico.

Valor da arte
A noção de valor em artes plásticas é altamente subjetiva.
Mas é também condicionada pelo contexto histórico-cultural e pelo modelo de relação entre economia e cultura que estiver prevalecendo.
O sucesso de um artista hoje não depende somente, nem mesmo principalmente, do valor intrínseco do que ele produz, dos méritos plásticos ou estéticos de sua obra, mas sobretudo de sua capacidade de inserção num "sistema" que funciona cada vez mais segundo as regras do mercado, do consumo e da moda -mesmo quando se veste o surrado disfarce da transgressão.
Pode-se simpatizar com as maçãs de Laura e o quebra-molas de Débora -embora não representem nada novo nem original. Mas é preocupante que esse tipo de produção -desligada da realidade, das questões contemporâneas, de compromissos, da História, do presente, em suma, da vida real- monopolize os espaços da arte hoje. É uma produção que pode até trazer fama, viagens e dinheiro a quem a faz, mas é disso que se trata?
As duas instalações pecam por serem obras inofensivas, fechadas em si mesmas, que não se articulam com nenhum processo exterior a elas próprias. Os artistas têm obrigação de vincular suas obras à realidade? Não. Mas, quando instalações desse tipo se tornam a tendência dominante da arte, fica a impressão de esgotamento e alienação.
Todos os movimentos de vanguarda do século 20 que resistiram à prova do tempo devem parte de seu êxito ao fato de terem mobilizado a sociedade, de estarem associados a transformações sociais, culturais e tecnológicas que tinham um impacto direto na vida das pessoas. Basta pensar na relação do futurismo com a guerra e com velocidade trazida pela máquina ao cotidiano para constatar que o novo não era uma manifestação espontânea e gratuita de gênios individuais.
Mesmo o surrealismo, com seu projeto de libertar a criação de qualquer controle racional, só foi possível num contexto de consolidação da idéia freudiana de inconsciente; mesmo assim, numa segunda etapa, foi associado por André Breton a um projeto político de esquerda -o que é uma contradição em termos, mas confirma o papel do contexto histórico na arte de cada época. Quando Marcel Duchamp expôs um urinol ou desenhou um bigode na Mona Lisa, fez um gesto revolucionário, que rompia com as convenções e abria possibilidades infinitas para a arte. Mas, como todos os gestos fundadores, é irrepetível, porque o contexto já passou: fazer um bigode na Mona Lisa hoje seria apenas ridículo.
Abolidos os cânones, qualquer adolescente é capaz de transgressões parecidas, e as fronteiras entre a criação artística e a empulhação pura e simples se tornam muito tênues. A falência da crítica como fator relevante agrava esse quadro, já que quem legitima o artista hoje é o sucesso em si: se faz sucesso, é bom. Nada mais capitalista. Mas talvez seja mesmo este o destino de todas as artes (a literatura, a música etc), isto é, enquadrar-se numa lógica de mercado ou morrer.

Projeção no mercado
Mais grave que a repetição anódina de fórmulas que fizeram sentido na primeira metade do século passado é o esforço, igualmente ultrapassado, de épater a qualquer custo. Como é cada vez mais difícil chocar as pessoas, alguns artistas caem no ridículo, numa tentativa desesperada de ganhar projeção num mercado (pois é) cada vez mais competitivo. Duas obras que nos últimos meses apareceram na mídia são bem representativas desse fenômeno:
1) Numa exposição em Manágua, em agosto passado, o artista plástico costa-riquenho Guillermo Vargas Habacuc amarrou um cachorro num canto da galeria e o deixou lá sem comida, até morrer de fome, diante dos olhos perplexos dos visitantes. Habacuc se justificou: "O importante para mim era constatar a hipocrisia alheia. Um animal torna-se foco de atenção quando o ponho em um local onde pessoas esperam ver arte, mas não quando está no meio da rua morto de fome".
2) Em outubro, o artista plástico cipriota Stelarc convocou a imprensa para mostrar sua obra mais recente: ele implantou uma orelha no próprio braço. Não satisfeito, ele anunciou que quer implantar um microfone próximo à orelha, para captar o que estiver sendo "escutado".
Será arte?


LUCIANO TRIGOé jornalista e editor de livros.

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MAIS UM CARTAZ DA DEC. DE 80  escrito em domingo 11 novembro 2007 00:05

Mais um cartaz da Galeria de Arte do Banerj. A Exposição "Depoimento de uma Geração" enfocava a produção de 1969-1970.
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BUEIROS DE SÃO PAULO  escrito em terça 09 outubro 2007 05:33

Os trabalhos dos artistas, que já passam dos 50, são constantemente apagados pela manutenção da prefeitura, que de tempos em tempos pinta o meio-fio e os bueiros da região. "Mas muitos locais só foram recuperados depois que fizemos os grafites, eles passaram muitos anos abandonados e só foram notados depois das pinturas", diz Delafuente, engrossando o protesto de muitos grafiteiros de São Paulo contra a política de "limpeza seletiva" da atual administração paulistana.
Segundo o artista, "temos um grande projeto para grafitar uma rua inteira que está degradada, transformando seus elementos urbanos em bichos, árvores e plantas grafitadas, mas isso esbarra em uma burocracia tremenda dos órgãos públicos. É uma pena, pois São Paulo é um caos, e as pessoas acabam sendo modificadas pelo trânsito, stress e a poluição. Se ela faz isso com seus moradores, por que não podemos também modificar a cidade?"
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