Um trabalho do Jorginho. O texto abaixo é de Luisa Strina (http://www.touchofclass.com.br/ed_15/main/destaque%20de%20arte.htm)
"A pintura de Jorge Guinle é uma prova da pintura permanentemente viva. Guinle (1947-1987) surge no fim dos anos 70, no sentido contrário da desmaterialização da arte em voga na década, e influencia o surgimento da Geração 80, tornando-se uma importante ligação entre esses dois períodos da arte brasileira.
Para este artista importava trabalhar com os recursos próprios da pintura, retirando dela um forte poder expressivo. Neste esforço para desenvolver a linguagem pictórica, ele avançou na tradição da pintura brasileira, atualizando o movimento internacional da Transvanguarda, que pregava contundentes efeitos visuais e ênfase no uso da matéria.
Nascido em Nova York, Jorge veio ainda bebê para o Brasil. Depois também morou muito tempo em Paris e nos EUA, antes de fixar-se em definitivo no Brasil. Destas experiências e vivências, trazia em sua bagagem um profundo conhecimento de arte. Muito culto, partilhava em sua vida e aplicava na sua produção as referências que coletava ao longo de seus estudos e viagens.
Me lembro que viajar com ele era participar de verdadeiras aulas de história da arte. Eram viagens incríveis, pois ele conhecia tudo como se fosse sua própria casa e falava com muita propriedade de cada museu, das obras, das histórias.
De imediato, a obra de Guinle surpreende pelas intensas relações cromáticas e pelo dinâmico jogo de áreas coloridas. Sua obra traduz a vibração da vida, perceptível na utilização das cores primárias, que dialogam e contrastam entre si, e na generosidade da convivência entre desiguais grandes e pequenas manchas, que se perdem na indefinição de seus limites. Passagens de cores, recursos gráficos, traços sinuosos, contrastes de luz e sombra imprimem movimentos à tela. Por isso o olhar fica muito tempo extasiado pelas pinceladas rítmicas, pela presença do intenso vermelho e do denso azul e pelos largos gestos que o artista traça na obra.
Guinle usou de toda liberdade no seu fazer artístico, traduzida na matéria pictórica e expressiva e na exigência de um campo amplo, que só cabe numa grande tela.
Compulsivo, varava noites e noites produzindo suas telas, em trabalhos simultâneos que levavam impressos em si todo o vigor e energia do artista. Seu estúdio era seu próprio apartamento no Rio de Janeiro, a própria imagem do caos, com tintas espalhadas por todos os lados. Desde a entrada do prédio até seu apartamento, gotas de tinta se espalhavam pelo chão e mostravam o caminho.
Nas telas, sua pintura expressionista, abstrata, forte e vibrante, destacou-se das demais. Guinle, dentre os de sua geração, é um dos nomes mais importantes e respeitados, servindo de referência e inspiração para tantos outros.
Sua trajetória aconteceu no Brasil em sua totalidade. Aqui ele fixou residência, produziu suas obras e conquistou valor, respeito e admiração. Percorria o mundo visitando feiras e exposições, mas não chegou a alcançar expressão no exterior.
Entre 1985 e 1986 sua pintura se mostrou com mais força. Depois, durante o avanço de sua doença, foi tornando-se cada vez mais suave. Jorge Guinle continuou produzindo até a sua morte.
Uma pessoa brilhante, inteligente e extremamente generosa com seus amigos, que se relacionava muito bem com outros artistas. Observador, não escolhia momento ou lugar para extravasar sua cria-tividade, desenhando sem parar. Se estávamos sentados em um bar, Jorge escolhia as pessoas e as desenhava ou produzia caricaturas. Era sempre uma presença surpreendente e divertida, com comentários pertinentes a respeito de qualquer assunto.
Profundamente ligado a todas as expressões de arte, também gostava de escrever sobre o assunto. Relacionava-se muito bem com os outros artistas de sua época. Entrevistava estes artistas e falava sobre os trabalhos aos quais ele tinha acesso, publicando textos excelentes em jornais e nas revistas especializadas.
Sua produção concentra-se nos últimos sete anos de sua vida. Apesar da curta carreira, interrompida pela sua morte precoce, sua produção foi bastante rica, intensa e expressou um acelerado amadurecimento artístico. Em uma década construiu uma carreira que o tornou referencia para a pintura contemporânea."
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LUISA STRINA é uma das mais conceituadas e bem sucedidas marchands do Brasil. Profunda conhecedora da arte, está sempre envolvida com o assunto, seja à frente de sua Galeria ou presente nas principais feiras de arte do mundo.