Home Data de criação : 06/11/24 Última atualização : 09/04/02 04:09 / 93 Artigos publicados
 

Três gravuras de Rubem Grilo  escrito em quinta 02 abril 2009 04:09

CAIXA CULTURAL
Av.Almirante Barroso, 25 – Centro – Rio de Janeiro(RJ).

Exposição: “Rubem Grilo – Xilográfico (1985 a 2009)”, de 03 de março a 12 de abril de 2009, de terça a sábado, das 10h às 22h. Domingo, das 10h às 21h.

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RUBEM GRILO - PEQUENA BIOGRAFIA  escrito em quinta 02 abril 2009 03:59

Rubem Campos Grilo nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, em 1946. Antes de completar 18 anos de idade, ele se transferiu para o Rio de Janeiro. Em 1969, ele se formou em agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

No ano seguinte, foi para Volta Redonda e freqüenta, por um curto período, o curso de xilogravura, com José Altino, na Escolinha de Arte do Brasil. Em 1971, mudou para o Rio de Janeiro e durante dois meses cursou a Escola de Belas Artes.

Na Biblioteca Nacional, Grilo conheceu a obra dos gravadores Lívio Abramo, Marcelo Grassmann e Oswaldo Goeldi.

Em 1972, freqüentou, com intervalos, o ateliê de xilogravura da Escola de Belas Artes, orientado por Adir Botelho, o ateliê de Iberê Camargo, no qual aprendeu as técnicas de gravura em metal, e participou do curso de litografia com Antônio Grosso, na EAV/Parque Lage.

Em 1971, realizou as primeiras xilogravuras e a partir de 1973, ilustrou os jornais "Opinião", "Movimento", "Jornal do Brasil" e "Pasquim", entre outros.

No início dos anos 80, ele trabalhou para a Folha de S.Paulo e ilustrou os fascículos da coleção Retrato do Brasil. Em 1985, lançou o livro "Grilo: Xilogravuras".

Em 1990, recebeu o segundo prêmio da Xylon Internacional, Suíça. Em 1999, atuou como curador geral da mostra Rio Gravura.

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RUBEM GRILO NA CAIXA - RJ  escrito em quinta 02 abril 2009 03:46

Falar que o cara é fera é redundante. Expresssionista, atormentada, distorcida, caótica, a gravura de Rubem Grilo  é um soco no estômago. Estão lá trabalhos de 1985 a 2009: 167 xilos, e 13 matrizes.

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RUBEM GRILO NA CAIXA - RJ  escrito em quinta 02 abril 2009 03:33

Que eu sou apaixonado por gravura, mais especificamente a xilo, não é segredo para ninguém. Por isso esperei com ansiedade o sábado passado (28 de abril) para ir à palestra do Rubem Grilo na Galeria da Caixa, aqui no Rio de Janeiro. Eu e Geraldo Soares chegamos por volta das 15h, uma hora antes do início marcado. Queríamos evitar imprevistos. Apesar do dia chuvoso a frequência foi muito boa: gente interessada, estudantes, artistas. O Grilo precisou usar microfone para que todos pudessem escutar melhor; a galeria estava lotada. Foi uma palestra informal, aberta a perguntas dos ouvintes. Ao término houve o lançamento do catálogo da mostra, que se esgotou rapidamente. A edição é primorosa, bem cuidada, e abarca todas as obras expostas. Rubem Grilo pacientemente autografou exemplares para quem os quisesse. Em um rápido bate-papo relembramos uma oficina ministrada por ele na Funarte, quando esta era dirigida pelo Ziraldo. Para minha surpresa ele disse que este evento ocorrera 25 anos atrás!!! Meus Deus, o tempo corre! 

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XILO É COISA MENTAL  escrito em quarta 01 abril 2009 16:42

 

 

Contagem Progressiva do Tempo, 2004, xilogravura, 30 cm x 40 cm

Ferreira Gullar ( texto de apresentação da exposição)

 

 

Rubem Grilo começou a gravar em 1971, mas tudo o que fez durante aquele primeiro ano - cerca de trezentas gravuras - ele o destruiu. A sua obra mesma, segundo ele, coma em 1972, porque foi a partir do dia em que passou a fazer ilustrações para jornal que sua gravura tomou o rumo certo. E que, eno, passou a criar dentro dos limites impostos pelos temas que Ihe eram dados e pelo público a que se dirigia. Esse compromisso com a imprensa dura ate 1984, quando terminou a ditadura militar e, então, Grilo considerou que não havia mais raes para trabalhar como ilustrador de temas jornasticos.

Aí começa uma nova fase de seu trabalho, que aquela altura se definira como um modo muito pessoal de expressar-se através da xilo. As gravuras dessa data trazem as marcas que as distinguem e que já faziam de seu autor um dos mais originais gravadores brasileiros. [ ... ] Já, aqui, e de admirar-se a extraordinária capacidade do artista de conciliar ordem e desordem numa unidade limite.

Os trabalhos dessa fase não se encontram na presente exposição. A referencia a eles se faz necessária, exatamente porque a fase que se segue - cujas obras estão expostas - resulta de uma mudança importante no modo de o gravador conceber e realizar suas gravuras: inicia-se uma redução dos elementos que as constituem e a tensão caóticalugar a uma valorização do espaço gráfico e de cada elemento constitutivo da composição. Ha uma valorização maior das áreas brancas, das linhas autônomas e das áreas negras.

Certamente, essas mudanças o significam que a gravura de Grilo seguiu, a partir de então, um curso único e determinado, sem volta ao uso de certos recursos usados anteriormente. Claro que não. No entanto, e certo afirmar que a exploração daqueles elementos mencionados se tornara constante e progressiva.

A experiência desenvolvida pelo gravador é rica, complexa, mesmo porque não se limita ao exercio de uma exploração apenas intuitiva da linguagem gráfica, pois, se e verdade que a intuição desempenha aí um papel essencial, e certo tamm que se faz acompanhar de uma constante reflexão do artista sobre a significação do seu trabalho e sobre os fundamentos mesmos da gravura como expressão atual na sociedade contemporânea.

 

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