O TARÔ DE ANTONIO MAIA
Centro Cultural dos Correios
R. Visc. de Itaboraí 20 - Centro - RJ
De 11 de setembro a 12 de outubro de 2008
De terça-feira a domingo, das 12h as 19h
Pintor, desenhista, gravador, Antonio Maia (Carmópolis, SE - 1928) viveu a infância no interior sergipano, o que contribuiu para o desenvolvimento de uma temática sua ligada à religiosidade popular do Nordeste.
Em 1945, passa a residir em Salvador, transferindo-se em 1948 para o Rio de Janeiro. Em 1955, inicia-se como autodidata na pintura, exercendo a atividade de pintor e adotando como estilo o abstracionismo informal. Faz pesquisas de textura entre 1955 e 1963. Em 1959, situa-se no âmbito da abstração da pintura e começa a participar dos salões de arte moderna. Realiza sua primeira exposição individual em Cataguases MG, em 1960. Ganha prêmio de viagem aos Estados Unidos em 1968, patrocinado pela galeria do Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos.
Conquista espaços e prêmios, em 1970 vai para a Europa como ganhador do prêmio: Viagem ao Estrangeiro do Salão Nacional de Arte Moderna e fica residindo durante dois anos entre Barcelona, Londres e Genebra.
Em 1972, regressa ao Brasil e fixa residência no Rio de Janeiro, dando início a exposições individuais e coletivas. Permanece até 1977, quando parte para a Tailândia e permanece por dois meses em Bangkok, realizando exposições.
Obras suas são adquiridas pelo Museu de Ontario, Canadá, em 1973.
Como nordestino, mantém íntima afinidade com o ex-votos ou milagre, simbologia de oferenda, cultuado desde os povos da antiguidade para o pagamento de uma graça recebida, transfigurado por Maia, de uma tosca escultura de madeira, de autores anônimos.
Demorou para cair a ficha quando o Geraldo ligou avisando da morte do Maia, em 12 de julho passado...
Mário, seu sobrinho, chegou pela manhã ao apartamento em Copacabana e, estranhando que o tio não saíra do quarto até meados da tarde, encontrou-o dormindo eternamente. O corpo foi cremado em cerimônia simples, dois ou três amigos presentes. Maia se foi e nos deixou seus pássaros hitchkokianos.
“Cabeças a nos olharem de olhos fixos; arco-íris, sóis, bandeiras, barcos, anjos, beatos e beatas, pássaros, peixes, flores, cogumelos e lagartos; às vezes corações pulsantes, outras vezes bombas ameaçantes – tudo aqui se reúne para compor um orbe tanto terreno quanto sobrenatural, lírico no seu fantástico. Mas se o nacional e o arcaico lhe conferem fundamento, o extremo refinamento formal permite à pintura de Maia alçar-se à amplitude de uma contemporaneidade que extrapola fronteiras. Seus ex-votos são cidadãos do mundo. “ Roberto Pontual, in: Entre dois séculos, arte brasileira do sec. XX na coleção Gilberto Chateaubriand, Editora JB, RJ, 1987.
Em poucos dias Mário organizou, no Centro Cultural dos Correios dos Correios – RJ, uma exposição das 22 pinturas de grande formato que compõem a série Tarô. As mesmas obras foram expostas na dec. 80 na Galeria Bonino e permaneceu guardada desde então. Abalado, Mário confidenciou-me que ainda não sabe o que fazer com o acervo do tio: o apartamento está abarrotado de obras! Alguns aproveitadores chegaram a oferecer uma bagatela por cada quadro, valores irrisórios que foram recusados por Mário, num gesto gentilíssimo certamente herdado do tio.